quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Coleslaw é mais, por menos!
Os americanos do Norte servem coleslaw com quase tudo.
Carne, salsicha, frango, peixe, com sanduíches de peito de peru ou pastrami... Pra quem não está se ligando, coleslaw é a salada mais popular made in USA. Dizem os historiadores que a origem é holandesa.
Nesse momento, seja o seu berço Amsterdã ou Nova York, interessa saber que é uma salada fresca, simples, versátil. Como tudo na vida, tem várias versões.
Meu coleslaw preferido, depois de experimentar quase todas as variações, leva meio repolho pequeno cortado a faca, bem fino, duas cenouras e uma maçã, raladas na mandoline ou equivalente, e umas duas colheres de sopa de cebolinha verde picada. Não leva maionese, nem creme de leite, mas uma xícara de iogurte natural e uma colher de sopa de mostarda Dijon, sal e pimenta-do-reino moída na hora. Muitos acrescentam açúcar, mas o toque doce, na minha salada, fica por conta da maçã. Também dispensei o vinagre, pois a mostarda já confere a acidez necessária.
Sempre sirvo o coleslaw frio, jamais gelado. Embora seja o típico acompanhamento, gosto de transformá-lo em prato principal. Duas fatias de pão integral ou de centeio, ligeiramente tostadas, completam uma refeição.
Na França, um chef normando serve a sua versão bem particular: substitui o repolho por aipo! O perfume desse coleslaw é outro, mas vale conferir. Fica assim meio Waldorf...e é interessante. Na cozinha, como na vida, a sensata sugestão é sempre que se dê uns passinhos para fora da gaiola. A existência fica mais divertida, ou possível. Você escolhe.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Rolinho Primavera
Rolinho primavera é sempre promessa de um bom começo. Almoço ou jantar, amor ou business, os acordos sairão sempre mais perfeitos.
Saudar a primavera com os rolinhos homônimos pode trazer bons ventos, bons tempos. Apesar de toda a nossa realidade estar comprometida mais com elementos de sombra do que de luz, uma mistura equilibrada de legumes com legumes ou de legumes com carne (se você não é vegetariano, valem todas: frango, pato, peixe, carneiro, boi etc) pode salvar o dia, a noite, e, quem sabe, o ano! Sobretudo esse, eleitoral. Vence a esperança, acreditem.
Panelas a postos, começo com um assalto à despensa e à geladeira. O primeiro passo é ver se tenho as folhinhas de massa para harumaki, legumes, folhas, brotos, temperos... O que vier, aceito.
Gosto de um recheio colorido, mas não há uma receita soberana a seguir. Hoje, tenho vagem, cenoura, carne, cebola roxa, manjericão, shoyu. Só até aqui já sei que bons rolinhos estão garantidos. Azeite no wok, vou levando ao fogo alto, na ordem: uma cebola roxa picada, depois a vagem, uns pingos de shoyu, e reservo. Um novo fio de azeite, wok quente, salteio a carne bem picadinha, um tomate em cubos, sem pele e sem sementes, folhinhas de manjericão. Misturo numa tigela o que já passou pelo wok. Acrescento um punhado de brotos de alfafa, uma cenoura ralada, sal e pimenta-do-reino moída na hora.
Separo os quadrados de massa e, em cada folha, ponho umas duas colheres do recheio. Enrolo como um charuto. Passo o dedo molhado em água fria pela borda, realizo uma leve pressão, e chego ao primeiro impasse: frito ou asso? Frito fica bem crocante, assado fica bem saudável. Opto por assar, num tabuleiro pincelado com ghee ou azeite, até que dourem. Enquanto espero, recito, na empolgação, o poema "Promessa", da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen:
És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada
instante.
Para servir, uma combinação de shoyu e geléia de cajá. Está muito excêntrico? Tente, então, uma mistura de mel, coulis de tomate e shoyu. O ponto é fazer um contraponto com um molho agridoce. Solte as asas. O sucesso será todo seu.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Um jantar libanês: moujjadarah
Um jantar libanês em 60 minutos! Ok, uma hora. Mas é que muito se tem prometido em 30 minutos, até em quinze, que eu fiquei tentada a enxugar o tempo. Inútil.
Armo minha tenda, solto os quadris, ponho uma música de raízes berberes, pinto os olhos com khôl. Na boca, só um brilho basta. Estou pronta. Cozinhar é viagem, sempre.
Agora, ao fogão. Um copo de lentilhas. Lavo-as em água fria. Levo ao fogo com 4 xícaras de água, 2 folhas de louro. Depois de 35 minutos, junto 1/2 xícara de arroz cateto ou arborio (os de grãos redondos). Deixo cozinhar mais 20 minutos, até quase secar todo o líquido. Se precisar, acrescento mais água.
À parte, corto umas 2 cebolas em fatias finas, e levo ao fogo até que dourem em 4 ou 5 colheres de azeite. Junto as cebolas à panela de lentilhas e arroz, verifico o sal.
Esse prato é para se servir quente, acompanhado de uma salada.
De sobremesa, já que o prato sustenta, embora não pese, um sorbet de amardine cai como uma luva. Amardine é aquela folha de massa de damasco, de origem síria, que encontramos na Casa Pedro ou equivalentes. Dissolvo uns 200g de massa de damasco em 100ml d'água, até que forme uma mistura homogênea. Fora do fogo, acrescento 50g de açúcar e 1 colher de sopa de sumo de limão. Misturo e deixo esfriar completamente.
Se você é daqueles que têm uma sorveteira elétrica, chegou o dia de justificar a compra. Siga as instruções do aparelho. Se não, use um tabuleiro retangular, leve ao congelador, e misture seu futuro sorbet a cada 30 minutos, por umas duas ou três horas. Na hora de servir, misture novamente.
A bem da verdade, passei muito dos 60 minutos prometidos, mas a ideia do sorbet veio com o apetite, já com o plano em curso. Estou meio tonta...Onde foi parar meu narguilé?
domingo, 12 de agosto de 2012
A nova fast food
A nova fast food está sendo gestada, e é toda orgânica! Essa cozinha do futuro é 100% saudável, e usa 100% da tecnologia, da experiência e da eficiência do McDonalds, graças a Mike Roberts, executivo por 29 anos da empresa top de vendas de hambúrgueres.
Hoje, ao criar o primeiro Lyfe kitchen (love your food everyday), em Palo Alto, Califórnia, ele está preparando o que será uma cadeia de restaurantes de comida orgânica, nos quais a carne será de boi que come grama, os cookies serão sem laticínios. A proposta é a de uma cozinha americana que se faz sem manteiga, sem creme de leite, sem açúcar branco, sem farinha branca, sem aditivos químicos, sem gorduras trans, e sem ser insossa.
O objetivo é revolucionar e alavancar uma rede de fornecedores de ingredientes orgânicos porque o projeto é ambicioso: fundar mais de cem restaurantes em 5 anos, com a experiência da velha fast food a serviço de um novo Nirvana para o consumidor de hoje: a comida orgânica em larga escala.
Um exemplo da nova refeição rápida proposta pelo Lyfe: salmão com molho de pimenta chipotle e maple, sementes de romã, cramberries, farro integral, mini-acelga, cebola roxa, cebolinha... O grande desafio é produzir o alimento que o consumidor consciente quer, entregá-lo livre de conservantes, em bom estado, e delicioso!
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Dieta gourmet: é hora de emagrecer sem sofrer!
A vida pode exigir muitos sacrifícios, sem dúvida. Mais: se queremos vida inteligente e saudável num corpo magrinho, ou sarado, ou os dois, só mesmo suando muito a camisa.
O fundamental, sempre, é que a gente esteja detonando só o acessório, e preservando o principal que é a tal alegria de viver. Emagrecer sem sofrer.
Proponho uma sopa forte e interessante: ervilhas com pontas de aspargos. Cozinho as ervilhas secas que foram previamente deixadas de molho por pelo menos duas horas. Escorro e levo ao fogo com uma nova água, um pedaço de alga kombu, e umas 3 folhas de louro. Quando cozidas, retiro as folhas de louro e bato no liquidificador até a mistura ficar homogênea. Verifico o sal e acrescento umas rodadas do moinho de pimenta.
Numa frigideira, as pontas de aspargos vão ser rapidamente passadas no azeite, temperadas com sal e pimenta, e salpicadas de gergelim.
No fundo do prato, coloco duas pontas de aspargos. Na hora de servir, de preferência na própria mesa, despejo o creme de ervilhas fumegante. E esqueça a pesada sopa de ervilhas com toucinho, assim como um novo amor apaga o antigo...
Para acompanhar, salada de folhas verdes, fatias finas de funcho e rabanete, um vinagrete fresco, feito com o melhor azeite. E, se for inevitável, torradinhas de pão árabe.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Mudança de paradigma: não são (só) os apressados que comem cru
O cru e o cozido (v. a publicação de Le cru et le cuit, em 1964, pelo antropólogo francês Claude Lévi-Strauss) dividia natureza e cultura.
Hoje, a comida crua - viva, aqui no Brasil - foi apropriada por muitas tribos, ditas civilizadas, e é uma tendência mundial, bem difundida entre os vegetarianos e veganos, mas não só. Que o digam os carpaccios de carne e peixe, os steaks tartares, os ceviches, sushis, sashimis, gravlax... que são criações de várias cozinhas, através do tempo, para os carnívoros (e bárbaros) de todo o mundo.
Mas aqui estamos falando da comida que tem um compromisso com os produtos orgânicos, frescos, produzidos localmente, de preferência, sem aditivos. A verdadeira comida natural que nutre e gera uma energia dinamizada.
A dieta crua, parcial ou total, exige alguns cuidados especiais: a escolha de produtos de boa qualidade, a higienização dos vegetais e das frutas, e a atenção com que se prepara cada alimento. A única lei é lembrar sempre que a energia transmitida no preparo transforma a comida... e que comemos também essas vibrações. Pense nisso.
Fica a proposta de reflexão, e vamos às receitas!
Gosto muito do taboule tradicional, mas o taboule de couve-flor é fresco e leve. Substituo o triguilho por couve-flor triturada no liquidificador (crua, claro), algumas gotas de sumo de limão, um fio de azeite, cubinhos de tomate, folhas de hortelã e salsa, picadinhas, sal e pimenta.
Para o espaguete de abobrinha com molho de tomate, corto as abobrinhas no sentido do comprimento, o mais fino possível. Corto um pimentão vermelho, sem as sementes, em cubinhos. Reservo. Para o molho, bato no liquidificador 2 tomates sem peles e sementes com uns 4 tomates secos. Arrumo o molho no fundo do prato, por cima as abobrinhas, umas folhinhas de funcho, gotas de um bom azeite, fleur de sel e pimenta-do-reino moída na hora.
O cru, numa nova perspectiva, é a comida do futuro, não poluente, frugal, e transformadora. Voltaremos a falar disso. Queremos as mudanças, e temos pressa!
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Crepes pra ninguém botar defeito
Decidiram que, em bom português, crepes são substantivos masculinos. Acho um pouco estranho, mas pode ser um cacoete de francófila. O importante é que as finas panquecas podem ser o ponto de partida para uma festa de sabores e cores.
Das minhas receitas favoritas, eis a de crepe da Ecole Lenôtre: 250g de farinha peneirada, 150g de ovos (dos caipiras, que são menores, uns cinco), 750g de leite, 75g de manteiga derretida, uma pitada de sal, 50g de açúcar(umas 3 colheres de sopa bem cheias), 25g de óleo, 25g de rum, 25g de Grand-Marnier( pra facilitar, a medida é a de um copinho de cachaça), raspas de um limão e de uma laranja. Misturar todos os ingredientes. Deixar a massa descansar por duas horas. Frigideira de ferro pequena, pouca massa, e paciência. Crepe não é para os aflitos. Ou melhor, como remédio para os aflitos, é tiro e queda. Ao fim de um pote de massa de crepes, tudo vai para o seu devido lugar. Bem, comigo funciona. Experimente. Pode ser um substituto do rivotril.
Gosto de rechear com ganache de chocolate meio-amargo ou compota de maçãs. Como sobremesa de uma refeição leve, para um brunch ou lanche, esses crepes são trunfos infalíveis. E de uma delicadeza superfeminina. Meu conselho, se é que alguém quer: ceda à tentação, mas sem privação dos sentidos. Comidos com a mão, à moda africana, são afrodisíacos e, nesse caso, todo cuidado é pouco, sobretudo se a ocasião exige moderação.
Com pequenas modificações, essa massa de crepe doce vira uma massa de crepe com ervas deliciosa. Substituo as raspas de limão e laranja por ervas frescas: tomilho, cebolinha francesa e salsa. Tudo picado miudinho e misturado aos outros ingredientes. Uso menos leite, nenhum Grand-Marnier, e um copo de cerveja completando a quantidade de líquidos. Ponho só uma colher de açúcar, mas pra falar a verdade, acho dispensável. Nossa saúde agradece.
Os crepes de ervas ficam ótimos recheados com um bom queijo feta, e eu os faço acompanhar de uma salada de folhas verdes bem frescas, orgânicas, com algumas fatias de pera. O vinagrete ideal é com mostarda e mel. Se servidos com um bom copo (estou com a Danuza, por que inventaram de só dizer taça?) de vinho branco...temos aí uma entrada que é meio caminho andado para qualquer almoço ou jantar bem sucedido.
Bom apetite!
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